terça-feira, 18 de março de 2008

Brasil é 61º em relatório do Bird sobre logística comercial

O Brasil ficou em 61º lugar no relatório do Banco Mundial (Bird) que classifica 150 países por sua capacidade para fazer com que seus bens cheguem de forma eficiente aos mercados internacionais.
"Conectar-se para competir", um estudo baseado em uma pesquisa mundial entre 800 profissionais da logística, destaca que facilitar a conexão entre empresas, fornecedores e consumidores é crucial em um mundo no qual a previsibilidade tem mais importância que os próprios custos.
Segundo a análise, Cingapura, um importante centro estratégico no comércio global, é o país com o setor logístico mais competitivo do mundo.
Na América Latina, o Chile, na 32ª posição, é o país mais bem colocado, seguido de Argentina (45ª) e México (56ª).
Tiveram pior avaliação Peru (59º lugar), El Salvador (66º), Venezuela (69º), Equador (70º), Paraguai (71º), Costa Rica (72º), Uruguai (79º), Honduras (80º), Colômbia (82º), República Dominicana (96º) e Nicarágua (122º).
As nações desenvolvidas lideram a lista, com a Alemanha em 3º, Japão em 6º, Reino Unido em 9º, Canadá em 10º e Estados Unidos em 14º.
No mundo em desenvolvimento foram observadas diferenças significativas.
China (30º lugar) e Chile (32º) ficaram em posições melhores que países com receitas petrolíferas maiores, como no caso da Argélia, país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que aparece em 140º, e no de Arábia Saudita (41º), Kuwait (44º) e Catar (46º).
O motivo, segundo o Bird, seria a relativa ausência de pressão do setor privado nesses países para implementar reformas institucionais nas áreas de comércio e transporte, dado o domínio do petróleo no setor exportador.
O setor privado foi um dos principais promotores da reforma do setor logístico nas economias emergentes nas quais as exportações manufatureiras impulsionaram o crescimento.
Em linhas gerais, a análise concluiu que os países com uma boa logística costumam registrar favoráveis taxas de crescimento e ter exportações diversificadas.
Segundo o relatório, as nações com melhor logística obtêm maiores benefícios com a globalização, ao atrair mais investimento estrangeiro direto para o setor exportador.
Já que "o comércio e o investimento estrangeiro direto são os canais-chave para a difusão internacional do conhecimento, um setor logístico ruim pode impedir o acesso a novas tecnologias e desacelerar o crescimento da produtividade", segundo o Bird.
"A logística pode impulsionar ou afundar o país em um mundo globalizado como o atual", afirmou Uri Dadush, diretor de comércio do Banco Mundial, em comunicado.
"Um país pode ter um setor alfandegário muito bom, mas o mau comportamento em apenas uma ou duas áreas da cadeia de abastecimento tem sérias repercussões no desempenho econômico do país e cria a percepção de que este não é confiável", acrescentou.
O estudo conclui que um país como o Chile pode vender produtos perecíveis como peixe ou frutas aos consumidores de Ásia, Europa e América do Norte, graças ao bom funcionamento de sua rede de fornecimento.
Ao contrário, importar um contêiner de 6 metros de Xangai a N'djamena, capital do Chade - um país sem saída para o mar -, leva dez semanas e custa US$ 6,5 mil.
Para enviar esse mesmo contêiner a um país sem acesso ao mar do oeste ou do centro da Europa, são necessários menos de quatro semanas e US$ 3 mil.
O relatório avalia sete aspectos diferentes, como procedimentos alfandegários, despesas de frete, qualidade das infra-estruturas, capacidade para rastrear uma carga, sua chegada a tempo ao lugar de destino e a competitividade dos setores logísticos nacionais.
A análise contou com a participação da Associação Internacional de Agências de Transportes, a Associação Global Express e a Universidade de Economia de Turku (Finlândia).

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